Manejo e Mitigação do Estresse Térmico na Pecuária Leiteira
No Momento Técnico do Ponto de Encontro Castrolanda e Sicredi, o analista técnico de assistência leiteira Bruno Obrzut destacou a importância do debate sobre o estresse térmico na pecuária de leite, alertando que o tema exige atenção contínua dos produtores, sobretudo com a aproximação dos períodos mais quentes do ano. Mesmo em regiões com clima considerado ameno, dias pontuais de calor intenso aliados à elevada umidade do ar provocam um desconforto significativo nos animais. O estresse térmico configura-se como uma alteração ambiental severa na qual a taxa de ganho de calor do animal excede a sua capacidade de dissipação, retirando-o da sua zona de neutralidade térmica devido à alta temperatura, umidade e radiação solar. Os impactos no rebanho abrangem a redução no consumo de alimentos e na eficiência alimentar, a queda direta na produção de leite, além de prejuízos ao sistema imune e à reprodução, o que compromete a fertilidade das vacas e acarreta perdas financeiras para a propriedade. É possível identificar visualmente que o animal está sob estresse térmico por meio de sintomas como respiração ofegante, aumento da frequência respiratória, salivação, elevação no consumo de água e diminuição na ingestão de alimento e na produção leiteira. A zona de conforto térmico para vacas em lactação situa-se entre 1 °C e 21 °C — sendo a raça Jersey um pouco mais tolerante —, faixa em que o gasto de energia para termorregulação é mínimo e a eficiência produtiva é otimizada. Para mensurar com precisão o nível de estresse do ambiente, utiliza-se o Índice de Temperatura e Umidade (THI), afeto por meio de aparelhos como termo-higrômetros e anemômetros. Além das vacas em lactação, as vacas no período seco exigem atenção rigorosa. A ausência de sistemas de resfriamento e aspersão nessa fase afeta diretamente a gestação e a próxima lactação do animal, podendo reduzir a produção diária em até 6 kg de leite por dia em comparação com vacas mantidas sob resfriamento. Indiretamete, essa condição prejudica o desenvolvimento do feto, gerando bezerras com menor peso ao nascer, baixa imunidade e menor absorção de anticorpos, o que afetará negativamente o seu desempenho produtivo futuro. Para amenizar esses efeitos e garantir a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade leiteira, o analista recomenda a adoção de estratégias de infraestrutura e manejo. Entre as ações essenciais estão o fornecimento de sombreamento, água de qualidade e em abundância, uso de ventiladores e aspersores nas instalações (como freestall e salas de espera), cobertura de cochos e bebedouros, e o agendamento dos manejos para os horários mais frescos do dia.
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1 Antena entrevista com Bruno Obrzut, analista técnico de assistência leiteira da Cooperativa Castrolanda - Estresse Térmico no Leite 1 Semana atrás
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