Cuidados Essenciais Contra a Diarreia em Bezerras

Cuidados Essenciais Contra a Diarreia em Bezerras

Por muito tempo, a criação de bezerras foi uma atividade negligenciada nas propriedades leiteiras, o que resultava no subaproveitamento do potencial genético dos animais e em elevadas taxas de mortalidade. Embora esse cenário venha se modificando na maioria das fazendas, a diarreia permanece como um dos maiores desafios sanitários da pecuária leiteira. Em entrevista ao programa, a analista técnica da Castrolanda, Letícia Kravustschke, explicou que as causas dessa enfermidade são divididas entre não infecciosas e infecciosas. As origens não infecciosas estão diretamente ligadas a falhas no manejo da dieta líquida, tais como variações na temperatura de fornecimento, uso de sucedâneo de má qualidade, alterações bruscas de volume e oscilações na concentração de sólidos. Por sua vez, as causas infecciosas são provocadas por agentes biológicos. Entre as bactérias destacam-se a Escherichia coli cepa K99, a Salmonella e o Clostridium perfringens do tipo C, enquanto entre os vírus os principais agentes são o coronavírus e o rotavírus, e entre os protozoários ressaltam-se o Cryptosporidium parvum e a Eimeria. Para lidar com a doença, o diagnóstico clínico inicial é essencialmente visual e envolve a avaliação do escore fecal, do grau de desidratação e do comportamento do animal durante o exame físico. O momento mais propício para essa observação ocorre durante e logo após o aleitamento, período em que é possível identificar prontamente as bezerras que estão refugando o leite. Quando há necessidade de um diagnóstico específico sobre o agente causador, amostras de fezes devem ser coletadas mediante estímulo da ampola retal e armazenadas sob refrigeração ou congelamento, a depender da metodologia analítica escolhida. Entre os exames laboratoriais empregados estão a coloração de Ziehl-Neelsen — considerada o padrão ouro para a identificação do Cryptosporidium —, além de testes de PCR, cultura bacteriana e pesquisas parasitológicas e virais. Diante da confirmação de um caso, a aplicação de protocolos de tratamento definidos por um médico veterinário deve priorizar o combate à desidratação, que é a principal causa de morte das bezerras. A escolha da via de hidratação, seja oral ou intravenosa, varia de acordo com o grau de desidratação do animal. O protocolo terapêutico contempla ainda o uso de probióticos para recompor a flora intestinal, anti-inflamatórios para reduzir o processo inflamatório da mucosa e antibióticos quando houver indicação médica. Contudo, a prevenção se mostra uma alternativa mais econômica e eficiente do que o tratamento curativo, tendo como pilar fundamental uma colostragem de qualidade. Essa prática exige atenção tanto à qualidade microbiológica quanto à imunológica do colostro, devendo ser fornecido o volume equivalente a 10% do peso vivo da bezerra nas primeiras duas horas de vida, seguido por mais 5% do peso vivo entre 10 e 12 horas após o nascimento. A prevenção envolve também a rotina rigorosa de lavagem e desinfecção de casinhas, mamadeiras, baldinhos e utensílios de aleitamento, aliada à vacinação das vacas prenhes para garantir a transferência de imunidade passiva para a bezerra via colostro. Para auxiliar os produtores a superarem esses desafios sanitários, o time de Saúde Animal da assistência técnica da Castrolanda desenvolve um trabalho focado na criação de bezerras leiteiras. A equipe oferece suporte integral no diagnóstico, na definição de condutas e no estabelecimento de protocolos preventivos adaptados à realidade de cada propriedade, visando a redução dos casos e a promoção da saúde e do bem-estar dos animais.

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  • 1 Antena entrevista com Letícia Kravustschke, analista técnica da Castrolanda - Protegendo o Futuro do Rebanho 1 Semana atrás

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